Projeto CiberS@FE quer saber quais as estratégias utilizadas na gestão de smartphones, tablets e computadores em contexto familiar. Ao mesmo tempo pretende-se conhecer a forma como os pais usam os dispositivos digitais.
Investigadores do ISPA – Instituto Universitário sublinham a necessidade de compreender melhor como as famílias lidam com a presença crescente da tecnologia na vida quotidiana, num contexto em que o uso dos ecrãs tem vindo a crescer de forma significativa.
Com esse objetivo lançam o projeto CiberS@FE, um estudo que conta com a colaboração do Centro Nacional de Cibersegurança.
A investigação dirige-se a pais e mães de menores de 18 anos para tentar perceber quais os hábitos digitais, preocupações parentais e estratégias utilizadas na gestão do uso de dispositivos, como smartphones, tablets ou computadores.
À Renascença, a investigadora e professora do ISPA Ivone Patrão diz que importa perceber que tipo de comportamento parental tem um impacto mais positivo junto dos filhos.
Nesse sentido, Ivone Patrão diz que se vai tentar estabelecer um perfil sobre “quem é que tem uma mediação parental mais restritiva, quem é que tem uma mediação mais centrada no diálogo e na negociação, com a perspetiva da segurança online e quem é que tem uma mediação mais ativa, que é aquela que exige corresponsabilização, que tanto criança como jovem também contribuem e vão dando estratégias para estarem todos em bem-estar digital”.
Para a investigadora do ISPA, “é importante perceber o que se passa nas famílias para podermos promover orientações práticas, de forma a regularem o uso dos ecrãs de forma positiva e segura”.
“Um ecrã tem uma janela aberta para o mundo”, alerta a investigadora
Segundo Ivone Patrão, este estudo pretende identificar “que riscos é que as famílias podem estar a passar, como é que estão a lidar com eles e se os pais estão ao conseguir fazer uma mediação digital ou se estão a ter algum tipo de dificuldade”.
A investigadora alerta, que “uma criança ou jovem dentro de quatro paredes, a olhar para um ecrã tem uma janela aberta para o mundo”, sublinhando que “pode estar a falar com uma pessoa que não é da sua idade, que está a aliciá-la, com um perfil falso”.
Ivone Patrão alerta que “o menor pode não ter capacidade para responder da forma mais adequada e não está treinado para isso”.
A professora e investigadora do ISPA diz que é preciso chegar às pessoas que “não estão muito interessadas neste tema, porque acham que tudo está a correr bem” e, quando assim, é “supervisionam muito menos e isso pode ser um erro”.
Os pais interessados em participar neste estudo têm até setembro para responder ao inquérito.
Os resultados preliminares devem ser conhecidos até ao final deste ano.
