Executivo considera que “o país apresenta um conjunto sólido de condições estruturais, nomeadamente ao nível da energia, da conectividade e da disponibilidade territorial”.
O Governo aprovou esta quinta-feira em Conselho de Ministros o Plano Nacional de Centros de Dados, afirmando a “capacidade computacional como um ativo estratégico central para reforçar a soberania digital” nacional.
O executivo considera que “o país apresenta um conjunto sólido de condições estruturais, nomeadamente ao nível da energia, da conectividade e da disponibilidade territorial”.
De acordo com uma nota do Governo, “por cada gigawatt adicional de capacidade instalada, estima-se um investimento inicial de cerca de oito mil milhões de euros ao longo de cinco anos, gerando posteriormente cerca de 16 mil milhões de euros anuais em operação”, o que representa cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) português.
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, afirmou em conferência de imprensa após o Conselho de Ministros que o Governo não quer que Portugal seja “um parque de ‘data centers’ e pronto”, considerando que por si só não seria do interesse estratégico nacional.
“Valerá a pena se conseguimos maximizar as vantagens que são associar a isto uma indústria, um setor de serviços digitais, de inovação e ciência, ao mesmo tempo que mitigamos custos ambientais, controlamos a fatura energética, o consumo de água e a utilização dos nossos solos”, acrescentou.
O executivo crê que o plano irá gerar cerca de 3.300 empregos diretos.
“O objetivo do plano é posicionar Portugal como um ‘hub’ europeu de centros de dados, assegurando simultaneamente a soberania digital, a atração de investimento estrangeiro e a sustentabilidade ambiental e energética”, lê-se no comunicado.
O Governo quer reforçar o papel da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) enquanto “ponto único coordenador para investidores” no âmbito dos Centro de Dados.
Ao nível da energia, o executivo prevê a “identificação e desenvolvimento de zonas pré-instaladas, a integração com a rede elétrica e fontes renováveis, a promoção da eficiência energética e o fortalecimento da cadeia de valor nacional”.
No eixo da procura e posicionamento, o Governo prevê a centralização da procura pública através de um plano nacional de ‘cloud’ soberana.
Relativamente ao efeito nas populações, o plano contempla a “integração de benefícios para as comunidades locais, o desenvolvimento de ‘hubs’ tecnológicos e académicos e a salvaguarda do uso futuro das infraestruturas”.
O Governo estima um crescimento anual na ordem dos 40% em Portugal até 2030, cerca de duas vezes superior à média europeia (20%) em matéria de centro de dados, passando de cerca de 170 MW em 2025 para perto de 1 GW no final da década.
Na execução das medidas previstas prevê-se o envolvimento da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), da Agência de Geologia e Energia (AGE), das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) e dos municípios.
A candidatura à AI Gigafactory é um dos projetos que poderá concretizar os objetivos do Plano Nacional de Centros de Dados, através da captação de financiamento europeu para infraestruturas estratégicas de computação.
