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Pressão e falta de recursos afastam talento em cibersegurança

Apenas 34% dos profissionais de cibersegurança planeiam manter-se no atual emprego, num cenário de menor satisfação e maior pressão sobre as equipas

 

A retenção de talento está a tornar-se um dos principais desafios na área da cibersegurança. De acordo com o “Cybersecurity Talent Report 2026”, divulgado pela IANS e pela Artico Search, apenas 34% dos profissionais planeiam permanecer nas suas organizações, refletindo uma quebra nos níveis de satisfação.

 

O estudo, baseado em mais de 500 profissionais do setor, aponta para um mercado cada vez mais exigente, onde o aumento das ameaças e a pressão sobre as equipas estão a alterar a relação dos profissionais com o trabalho.

 

“Os líderes de segurança estão a ser chamados a fazer muito mais com os mesmos ou menos recursos, o que muda completamente a forma como têm de pensar o talento”, afirma Nick Kakolowski, Senior Research Director da IANS.

 

Apesar de a remuneração continuar a ser um fator relevante, o relatório conclui que não é o principal elemento de retenção. Em vez disso, fatores como progressão de carreira, reconhecimento e equilíbrio entre vida pessoal e profissional ganham maior peso.

 

Um dos dados mais relevantes mostra que a evolução salarial tem mais impacto do que o salário absoluto, sendo que aumentos, mesmo modestos, estão associados a níveis mais elevados de satisfação e permanência.

 

Os modelos de trabalho flexíveis surgem também como determinantes. O estudo indica que regimes híbridos, com um a dois dias presenciais por semana, apresentam melhores resultados em termos de equilíbrio e retenção.

 

Outro fator crítico é a forma como a segurança é valorizada dentro das organizações. Entre os profissionais que consideram a cibersegurança uma prioridade estratégica, 73% dos inquiridos mostram-se satisfeitos, valor que cai para apenas 19% quando essa perceção não existe.

 

“O talento de topo procura mais do que remuneração: quer visibilidade, crescimento e apoio da liderança”, sublinha Steve Martano, Partner da Artico Search.

 

Perante este cenário, o relatório recomenda que os responsáveis de segurança adotem uma abordagem mais abrangente à gestão de talento, apostando em mentoria, desenvolvimento profissional e cultura organizacional, de forma a reduzir o risco de burnout e aumentar o compromisso das equipas.

 

Num contexto de escassez de profissionais qualificados, a capacidade de atrair e reter talento será um fator determinante para garantir a resiliência das organizações face ao aumento das ciberameaças.