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Governo aprova verba de quase 20 milhões para supercomputação e IA

Portugal vai investir 19,3 milhões de euros em projetos de supercomputação e inteligência artificial, incluindo 12 milhões na atualização do supercomputador MareNostrum 5, localizado em Barcelona.

O Governo aprovou quase 20 milhões de euros em verbas para supercomputação, incluindo um investimento em capacidade de computação especializada para inteligência artificial (IA). Em causa estão despesas a realizar por dois projetos estratégicos da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) ao longo dos próximos anos: o supercomputador Deucalion e o supercomputador MareNostrum 5, situado em Barcelona, uma Fábrica de IA na qual Portugal tem uma participação.

Segundo a Resolução do Conselho de Ministros publicada esta segunda-feira no Diário da República, o supercomputador Deucalion terá um investimento máximo de 3,7 milhões de euros entre 2026 e 2029, enquanto a Fábrica de IA contará com um financiamento global de até 15,6 milhões de euros, para despesas operacionais, mas não só.

Do montante total para a Fábrica de IA em Barcelona — uma das mais poderosas da Europa, onde Portugal participa, juntamente com Espanha, Turquia e Roménia –, 12 milhões de euros destinam-se à comparticipação na atualização do supercomputador, para transformar a infraestrutura numa plataforma especializada em IA, oferecendo recursos de computação de ponta a startups, PME e à comunidade científica europeia. A iniciativa apoia setores estratégicos como saúde, clima, agricultura, energia, finanças e comunicação.

O financiamento, em conjunto com o dos restantes parceiros da iniciativa, deverá, assim, permitir incorporar hardware de última geração, incluindo GPU otimizadas, processamento de linguagem natural, interconexões de alta velocidade, grande capacidade de armazenamento e sistemas de refrigeração eficientes para suportar pesquisas intensivas em IA. Os restantes 3,6 milhões de euros cobrem os custos operacionais da fábrica de IA ao longo dos próximos anos, nomeadamente 1,48 milhões em 2026 e 2027 e 640 mil em 2028.

O Deucalion, instalado em Guimarães e inaugurado em 2023, visa reforçar a capacidade de investigação em computação de alto desempenho na Europa. O investimento total destinado a este equipamento entre 2026 e 2029 será de 3,7 milhões de euros, distribuído de forma uniforme ao longo dos quatro anos, com 925 mil euros previstos para cada exercício anual.

Segundo a Resolução agora publicada, os encargos relativos ao supercomputador Deucalion serão pagos com verbas do orçamento da FCT, a agência extinta que dará lugar à Agência para a Investigação e Inovação (AI2), provenientes de receitas de impostos não afetos a projetos cofinanciados.

No caso da Fábrica de IA, a maior parte do financiamento, até 12 milhões de euros, virá do Plano de Recuperação e Resiliência, enquanto o restante, até 3,6 milhões de euros, será coberto por verbas do orçamento da FCT, provenientes de receitas de impostos afetas e não afetas a projetos cofinanciados.

A Resolução prevê ainda que os montantes definidos podem ser acrescidos, anualmente, do saldo apurado no ano anterior, permitindo alguma flexibilidade financeira na execução dos projetos.