A Comissão Europeia lançou uma ampla consulta pública sobre o Programa de Política da Década Digital – convidando cidadãos, empresas, autoridades públicas, governos regionais e locais, e atores da sociedade civil – a fornecer feedback. O objetivo é avaliar se as metas digitais para 2030 continuam realistas e relevantes num panorama tecnológico e social em rápida mudança.
A Visão da Década Digital
Quando o Programa de Política da Década Digital foi anunciado pela primeira vez, estabeleceu uma agenda ambiciosa para o futuro digital da Europa. Uma meta chave era garantir que 80% dos adultos possuíssem pelo menos competências digitais básicas e aumentar o número de especialistas em TIC na UE para 20 milhões, com um melhor equilíbrio de género até 2030. Visava também modernizar as empresas, esperando que três quartos das empresas adotassem ferramentas digitais como computação em nuvem, inteligência artificial e big data, garantindo ao mesmo tempo que a maioria das pequenas e médias empresas atingisse pelo menos a intensidade digital básica.
Fonte da imagem: Década Digital – Programa de políticas | Moldando o futuro digital da Europa
A infraestrutura é outro foco chave, com metas para conectividade universal gigabit e 5G, aumento da produção de semicondutores, implementação de 10.000 nós cloud de borda neutros em relação ao clima e capacidades iniciais de computação quântica.
Metas para a digitalização dos serviços públicos relacionadas com garantir acesso 100% online a serviços-chave e registos eletrónicos universais de saúde.
As metas do programa combinam áreas como desenvolvimento de competências, infraestruturas competitivas, modernização empresarial e serviços públicos digitais, todas alinhadas com os objetivos mais amplos da Europa de inclusão, competitividade e soberania tecnológica.
Progresso e Desafios
De acordo com o Relatório Estado da Década Digital de 2025, o progresso tem sido tangível, mas continua a ser insuficiente. Apenas 55,6 por cento dos europeus têm competências digitais básicas, e a força de trabalho das TIC conta com cerca de 10 milhões de especialistas, muito aquém da meta de 2030. Os desequilíbrios de género persistem. A implementação de infraestruturas de fibra óptica, 5G, cloud e edge computing é mais lenta do que o previsto, enquanto as empresas adotam tecnologias digitais a um ritmo que corre o risco de ficar atrás das ambições do programa. A digitalização dos serviços públicos avançou, mas continua dependente de fornecedores de tecnologia não pertencentes à UE, levantando preocupações sobre a soberania e a resiliência a longo prazo. Estas lacunas destacam a importância da consulta em curso para reavaliar prioridades e adaptar as políticas ao atual ambiente digital.
O Foco da Consulta
A revisão inclui dois inquéritos:
- Inquérito para a Indústria, Sociedade Civil, ONGs e autoridades nacionais
- Inquérito para Regiões e Cidades
Os inquéritos procuram contributos sobre áreas prioritárias, riscos potenciais, oportunidades emergentes, barreiras ao progresso e a relevância das metas originais para 2030. Além disso, a Comissão abriu um apelo geral à apresentação de provas, permitindo que qualquer pessoa contribua. O feedback recolhido irá informar uma revisão formal da política, com recomendações previstas para 2026.
O teu ponto de vista é importante
À medida que 2030 se aproxima, a revisão representa um momento crucial para a trajetória digital da Europa. Atualizar estratégias, investir em competências e infraestruturas, e fomentar ecossistemas digitais inclusivos, inovadores e resilientes serão essenciais. A consulta oferece uma oportunidade para as partes interessadas da educação, emprego e envolvimento comunitário ajudarem a moldar um futuro digital eficiente, justo e acessível a todos os europeus.
