Ponto Digital

Portugal ultrapassa média europeia na conectividade rural e acelera rumo às metas digitais de 2030

O relatório da Década Digital para a conetividade mostra que Portugal continua bem posicionado face à média europeia. Com a chegada da fibra ótica a 288 concelhos e 1.967 localidades classificadas como “zonas brancas”, está prestes a atingir as metas de 2030.

A conectividade nas zonas rurais portuguesas continua a avançar de forma significativa, aproximando o país das metas definidas pela Década Digital europeia. No Dia Mundial do Desenvolvimento Rural, assinalado a 6 de julho, a ANACOM destacou o papel das redes de comunicações eletrónicas na promoção da coesão territorial e no desenvolvimento económico e social destes territórios. Sublinhou que as infraestruturas digitais de elevada capacidade são essenciais para reforçar a competitividade das empresas, apoiar a inovação agrícola e melhorar o acesso aos serviços públicos. Segundo o estudo Connectivity Coverage in Europe 2025, Portugal apresenta um desempenho superior à média da União Europeia na maioria dos indicadores de cobertura em zonas rurais. Embora a cobertura global de banda larga fixa nestas áreas se situe nos 88,9%, ainda abaixo da média europeia, o país destaca-se na implantação de redes de muito elevada capacidade (VHCN), que atingiram 81,6% de cobertura rural em 2025, um valor 8,9% acima da média da União Europeia e cerca de 8% acima do registado em 2024. A fibra ótica (FTTH) também já cobre 73,1% das zonas rurais, superando a média europeia, enquanto a cobertura 5G alcança 95,3%, aproximando-se de uma presença praticamente universal Este avanço na cobertura total do país ganha agora um novo impulso com a assinatura dos acordos que permitem instalar fibra ótica em 288 concelhos e 1.967 localidades classificadas como “zonas brancas”. Ou seja, áreas sem redes de comunicações de elevada capacidade. Os contratos foram assinados entre as cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional e a DSTelecom, vencedora do concurso internacional lançado em 2023 para a instalação de redes de capacidade muito elevada nestes territórios. A instalação abrangerá todos os edifícios residenciais e não residenciais, incluindo indústria, comércio e atividades agrícolas, garantindo que cerca de meio milhão de casas atualmente sem fibra ótica passem a ter acesso a estas redes de alta performance. O processo para viabilizar este projeto foi longo e marcado por atrasos. A ANACOM identificou as “zonas brancas” em 2022, mas as negociações com a Comissão Europeia, três consultas públicas e problemas administrativos, incluindo a renúncia do júri e uma impugnação judicial ainda pendente, empurraram o lançamento do procedimento para 2023. Agora, com os acordos assinados, o investimento total ascende a 172,3 milhões de euros, após uma atualização face aos 425 milhões inicialmente previstos. A comparticipação pública ronda os 30 milhões de euros, financiados pelo FEDER (Portugal 2030) e por verbas provenientes do leilão do 5G . Na cerimónia de assinatura, o Ministro da Economia e da Coesão Territorial afirmou que este passo representa mais do que a construção de uma infraestrutura. Simboliza uma visão de país que não deixa territórios à margem das grandes transformações económicas, tecnológicas e sociais. O governante sublinhou ainda que o projeto é decisivo para que as potencialidades do 5G, e futuramente do 6G, deixem de ser apenas um slogan e se tornem realidade para todos os cidadãos. A DSTelecom ficará responsável pela instalação, gestão, exploração e manutenção das redes nos cinco lotes definidos para Norte, Centro, Alentejo, Algarve e Lisboa. A empresa, que já chega a um milhão de casas em 154 municípios, destaca que este projeto representa um compromisso com a coesão territorial e com a igualdade no acesso à conectividade, reforçando a competitividade nacional num contexto cada vez mais digital. Para a ANACOM, o concurso público lançado em 2023 é um instrumento estratégico para assegurar que todo o território nacional disponha de acesso a redes Gigabit até 2030. Salienta também a necessidade de investimento contínuo em territórios de menor densidade populacional e o papel dos programas públicos no apoio à expansão das redes de muito elevada capacidade.