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“A digitalização avança, mas a escassez de talento está a limitar a sua plena execução”

A digitalização acelera, a inteligência artificial entra nas operações e a competição por talento intensifica-se. No entanto, segundo Patrícia Machado, Senior Manager da Hays, o maior desafio para o FMCG e o retalho em 2026 não é tecnológico, mas humano. Em entrevista à Grande Consumo, a responsável explica porque o setor de bens de grande consumo está a evoluir mais rapidamente do que o retalho na integração de competências digitais, alerta para a escassez de perfis híbridos capazes de transformar tecnologia em impacto real e sublinha que as empresas que não conseguirem alinhar estratégia, cultura e proposta de valor correm o risco de ficar para trás na guerra pelo talento.

O Guia Hays 2026 classifica o FMCG como “Hot” e o retalho como “Warm”. Para além dos indicadores económicos, o que é que esta diferença revela sobre a maturidade estratégica de cada setor em Portugal?

Mais do que indicadores económicos, esta diferença revela ritmos distintos de adaptação estratégica.

O FMCG apresenta um mercado “Hot” porque está mais avançado na internacionalização, na omnicanalidade e na integração de competências digitais e comerciais, o que gera maior pressão sobre o talento e acelera decisões. Já o retalho, apesar de resiliente, evolui de forma mais gradual, ainda condicionado por estruturas operacionais rígidas e menor flexibilidade nos modelos de trabalho. Não é uma diferença de relevância, mas de velocidade e capacidade de transformação.

A digitalização avança rapidamente, mas a escassez de talento trava esse movimento. Estamos a assistir a uma transformação tecnológica sem transformação humana?

Em muitos casos, sim. A digitalização avança, mas a escassez de talento está a limitar a sua plena execução. O Guia Hays 2026 mostra que falta capacidade para acompanhar a tecnologia com competências humanas adequadas — seja em análise de dados, gestão omnicanal ou liderança de equipas em contexto digital. Sem investimento claro em upskilling e reskilling, o risco é criar organizações tecnologicamente avançadas, mas operacionalmente frágeis.

A integração da Inteligência Artificial no negócio é hoje uma vantagem competitiva real ou, em muitos casos, ainda um discurso mais aspiracional do que operacional?

A Inteligência Artificial já é uma vantagem competitiva real, mas apenas para as organizações que a conseguem integrar nos processos e nas equipas.

No FMCG e no retalho, vemos avanços claros na personalização da experiência do cliente, no e-commerce e na análise de dados. No entanto, em muitas empresas, a IA continua a ser mais aspiracional do que operacional, sobretudo por falta de perfis híbridos que consigam transformar tecnologia em impacto concreto no negócio.

“Sem investimento claro em upskilling e reskilling, o risco é criar organizações tecnologicamente avançadas, mas operacionalmente frágeis”

O que explica a crescente resistência dos profissionais do FMCG à mudança, mesmo perante propostas atrativas? Estamos perante um fenómeno conjuntural ou estrutural?

Estamos perante um fenómeno estrutural. Apesar do dinamismo do setor, os profissionais tornaram-se mais cautelosos e seletivos. O Guia Hays 2026 evidencia uma menor disponibilidade para mudar de emprego, mesmo perante propostas atrativas. Hoje, os profissionais valorizam mais estabilidade, progressão clara, qualidade da liderança e equilíbrio pessoal do que mudanças frequentes. Não é resistência à mudança, é uma mudança mais ponderada.

Para ultrapassar esta menor disponibilidade para mudar, as organizações devem reforçar propostas de valor que tragam estabilidade real, percursos de progressão tangíveis e liderança próxima. Além disso, investir em requalificação interna, clareza nas expectativas e modelos de trabalho equilibrados ajuda a reduzir o risco percebido e a aumentar a confiança dos profissionais em considerar novos desafios.

Leia na íntegra aqui.

FONTE: https://grandeconsumo.com/